Carentes, ciumentos e possessivos
02-10-2012 21:07
“Um gato carente pode deixar maluco quem procurava um animal com fama de independente!”
Os carentes
Quem decide adquirir um gato, geralmente espera um animal independente e que exige pouco tempo e atenção. Um companheiro, mas que não fique pulando e chamando pelo dono o tempo todo! Que não precisa ser levado para passear. Que fique deitadinho aos seus pés, enquanto ele trabalha, come ou assiste à TV. Mas, quando o dono se senta para assistir televisão o gatinho logo sobe no seu colo. O dono vai dar uma olhada nos e-mails e o gato deita sobre o teclado; vai ler o jornal e o gato tenta subir impedindo a leitura. Mesmo que o pote de comida esteja cheio, ele mia de forma insistente até que o dono complete o pote ou troque a comida. Pede carinho o tempo todo e não dá sossego nem por um minuto!!! Cada vez mais o gato vai se tornando a sua sombra, seguindo o dono por onde quer que ele ande e miando escandalosamente se ele lhe nega atenção ou feche uma porta tentando ter um pouco de sossego. Em alguns gatos essa agitação segue madrugada adentro, com os bichanos pulando na cama ou mordiscando os pés. Outros começam bem cedo pela manhã, miando e pedindo comida e atenção. O gato, que na verdade é ansioso, passa a fazer qualquer coisa pela atenção do dono, como miar, subir na mesa ou arranhar o sofá. Mesmo que ele leve uma bronca, o que vale é ganhar a sua atenção! Um gato carente pode deixar maluco quem procurava um animal com fama de independente! Cada vez que o dono cede aos miados e satisfaz as vontades do gato, mais ele aprende que miar é o melhor recurso para conseguir sua atenção e passa a fazê-lo cada vez com mais insistência, treinando o seu dono a atender mais prontamente aos seus pedidos.
Os ciumentos
Quando você já tem um gato e adquiri outro que, além de não ser bem-aceito pelo veterano, ainda é impedido por este de andar em algumas áreas da casa, de se aproximar do dono, de usar a caixa de areia ou de beber água. Isso poderia ser justificado como ciúmes ou possessividade? Na verdade, estas palavras são mais usadas para descrever os sentimentos humanos. Para os gatos usamos o termo “agressividade territorial”. Para um gato, controlar seu território pode ser uma questão de sobrevivência. Nele estão os principais recursos que necessita: água, alimento, segurança, parceiros reprodutivos. Um gato que tenha um forte instinto de controle do seu território tentará expulsar os outros gatos. Se ele não conseguir expulsar o seu rival, pode acabar aceitando a sua presença mas com certos limites e não tolerando que ele fique ou circule nas áreas que pode controlar visualmente. Ele fica vigiando o território e tenta impedir qualquer coisa que o recém-chegado tente fazer. Se o veterano quiser aproximar-se do dono e o recém-chegado estiver por perto, ele tentará afastá-lo para depois se aproximar.
E o que fazer com estes felinos tão “carentes ou ciumentos”?
Ignorar o comportamento de um gato escandaloso parece impossível. Um gato territorial pode acabar deixando doente um rival mais medroso. Dar broncas diretas também não é uma boa solução, pois, se elas forem duras o suficiente para parar o comportamento, podem prejudicar o relacionamento do gato com seu dono, fazendo com que ele passe a evitá-lo. Então, o que fazer?
Melhore o ambiente
1. Em primeiro lugar é preciso melhorar e enriquecer o ambiente para o gato. Antes de repreendê-lo, criar atividades que distraiam o gato. Também avalie se ambiente está adequado ao número de gatos existentes na casa, que deve ter água e caixas de areia para os gatos em vários locais diferentes. Assim, o gato mais territorial não conseguirá controlar tudo ao mesmo tempo;
2. Crie prateleiras ou coloque arranhadores que possuam vários andares, perto das janelas; crie locais que o gato possa escalar ou se abrigar;
3. O catnip, a “erva-do-gato”, espalhado em locais estratégicos ajuda a criar uma atividade que entretenha e exercite um gato ancioso; ou atraia o gato para perto da cama e dos arranhadores, incentivando seu uso. Alguns brinquedos como peixinhos e ratinhos já vêm recheados com o catnip;
4. Petiscos secos podem ser espalhados pela casa para que o gato gaste algum tempo em procurá-los;
5. Às vezes, as coisas mais simples como uma bolinha de papel amassada, uma caixa de papelão, ou um brinquedo amarrado pendurado em uma porta distraem o gato mais do que um brinquedo caro e sofisticado.
Impeça os maus e premie os bons comportamentos
Agora o segundo passo é brecar o comportamento indesejado do gato.
No caso dos gatos carentes, é fazer com que os miados insistentes parem. Torna-se fundamental que o gato falhe em conseguir o que quer: a sua atenção. Interrompa os miados utilizando, por exemplo, um spray de água, sem se movimentar muito, falar ou olhar diretamente para ele, tornando a bronca o menos pessoal possível. Uma outra dica é fechar a porta com o aspirador de pó do lado de fora, deixando a tomada para o lado de dentro da porta. Quando gato começar a miar, o aspirador é ligado à tomada. O barulho do aspirador faz com que o gato se assuste e pare. Premie e dê atenção ao gato quando ele não estiver miando ou tentando chamar a sua atenção.
No caso dos ciumentos, é importante primeiro ligar o animal recém-chegado a coisas boas para o veterano. Depois comece a dar broncas apenas se um gato realmente atacar o outro, impedindo o ataque. Nunca force a aproximação entre eles. Quando se tem mais de um gato em uma residência, ou no caso de agressões territoriais, a castração dos gatos, especialmente dos machos, é altamente recomendável. Os animais castrados, principalmente em seu primeiro ano de vida, tendem a aceitar melhor outros gatos em seu território.
É importante entender que o temperamento dos gatos não irá mudar. O gato carente sempre exigirá mais atenção de seu dono; o territorial manterá o instinto de controlar seu território. Porém, em ambos os casos a convivência pode tornar-se mais prazerosa para todos.
Fonte: Revista Pulo do Gato (Ed. 56 – março/abril)
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